Em Desconstrução

Como não detonar seus relacionamentos durante a Copa

Rodrigo Ratier

13/06/2018 11h42

(Crédito: Till Achinger/Freeimages)

Não tem rua pintada. Sumiram os carros com bandeira no capô. E usar camiseta amarela ficou meio “queima o filme” depois de certas, digamos, pataquadas. Mas o poeta canta “não se afobe, não, que nada é para já”, e o clima de Copa, pode apostar, é “logo ali”, como diz o apresentador que virou meme. Resolvida a questão diversionista, voltemos à real causa do desconforto. Que diz respeito, evidentemente, à necessidade de preservação de seus relacionamentos vitais durante o torneio. Não dá para ir com alegria nas pernas durante os 64 jogos e detonar seu casamento, emprego, amizades. A Copa acaba em 15 de julho, mas essas coisas, espera-se, duram mais um pouco. Se essa é sua intenção, sugerimos um passeio pelas dicas absolutamente subjetivas compiladas a seguir. Ressaltamos que os conselhos não solicitados servem para mulheres e homens indistintamente – o amor pelo futebol não conhece barreiras de gênero. Também garantimos que durante a realização da lista nenhum animal foi ferido, nenhuma morte falsa de avó foi anunciada nem qualquer atestado mandraque foi emitido.
Para aproveitar bem a Copa preservando casamento, emprego e amizades…
 
Adiante o trabalho: Esta crônica, por exemplo, foi escrita durante o 7 a 1, em 2014.
Adie o trabalho: Não cometa o equívoco de estabelecer o dia seguinte ao fim da Copa (16 de junho) como a data da retomada. Preveja uma boa quinzena de recuperação física e psicológica.
Aceite o delay como ele é: Sempre haverá um fdp que, sabe-se lá por que cargas d’água, possui uma TV que mostra os gols antes da sua. Algumas opções: grite gol preventivamente em todo lance de perigo; compre um daqueles fones do foguete do Silvio Santos (quer trocar um carro por um fósforo riscado? siiiiiiiim!); encha sua casa de gente de modo a não ouvir nem seus próprios pensamentos. Em hipótese alguma entre em contato com sua operadora. Será inócuo, como ocorre com todas as outras demandas.
Atenção ao relógio: Por conta do fuso russo, algumas partidas começam às 7 da manhã. O conselho é desnecessário para pais de filhos pequenos, que a essa hora já estão almoçando.
Mostre a incontornável importância de cada jogo: Ensine que toda partida é es-sen-ci-al. Costa Rica x Sérvia? Fácil: dois times do grupo do Brasil! Espanha x Portugal? Dois rivais históricos na terra e no mar! Panamá X Tunísia? Oras, dois… países!
Muito cuidado com os resfriados: A temperatura ideal da cerveja pilsen, por exemplo, é de 0 a 4 graus Celsius.
Faça uma refeição romântica para seu(sua) companheiro(a): Digite no Google “delivery” + nome do seu bairro. Lembrando que quem pede comida não lava a louça.
Desenvolva uma versão kids da Copa do Mundo: Se você tem filhos pequenos e TV travada em canais como Disney Junior, Discovery Kids ou Netflix Infantil, eis algumas sugestões do que fazer quando ouvir a primeira sílaba de “Mas eu quero assistir desenhooooo”:
  • Crianças até 3 anos – desafio “o que estaria passando na TV agora se a gente não estivesse assistindo futebol?” (A resposta correta será sempre Peppa).
  • De 4 a 12 anos – jogo da memória: que jogadores do seu álbum da Copa não foram convocados? (92, segundo esta reportagem da Folha, o que vai render um bocado bom de sossego)
  • De 13 em diante – encomende uma dissertação sobre a privatização predatória do aparato estatal soviético pós colapso da perestroika gorbatcheviana. Ou não faça nada. Os adolescentes estarão, como sempre, no celular.
Foco na primeira quinzena: Copa é rotina e não há nada mais delicioso e viciante do que a primeira fase e seus três, às vezes quatro, horários diários de partidas.
Foco na segunda quinzena: O dia livre entre a primeira fase e as oitavas (29 de junho) prenuncia o inevitável: os jogos escasseiam e o fim está próximo. Como a iminência do apocalipse pode causar abstinência, recomenda-se uma dose diária de reprises das principais partidas até que seu organismo se acostume à diminuição na frequência de prélios ao vivo. Avise familiares e empregadores que se trata de imprescindível questão de saúde.
Resista à tentação de jogar bola: Principalmente se você não joga. Principalmente depois de algum jogo. Principalmente depois da vitória do Brasil e de ter tomado todas. Você não é o CR7, o Messi, nem mesmo o Taison. A chance de se machucar é 125%.
Não use vuvuzelas: Troço insuportável. Miga, apenas pare.
Por fim, mas não menos etc etc…
Não torça contra o Brasil: Eu sei que às vezes dá vontade, que o Neymar é um mala, a CBF é uma vergonha, os políticos vão usar a vitória. Mas não precisa zicar. Basta não esquecer disso tudo mesmo se o Brasil for campeão, não é?

Sobre o autor

Rodrigo Ratier é jornalista, professor universitário, pai de duas, curioso pela vida, entusiasta do contraditório

Sobre o blog

Olhares e provocações sobre a vida cotidiana: família, trabalho, amizade, educação, cultura – e o que vier pela frente

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